Ela foi chegando, de mansinho. Eu havia percebido a sua chegada, porém, não disse nada. Esperava que ela fosse embora logo em seguida. Mas ela não quis. E ela foi ficando, e eu nada dizia... E aos poucos ela foi tomando seu espaço, e tomando o lugar de outros. Tinha gostado dalí, e não sairia tão cedo. Mas a sua presença começou a me incomodar, e eu queria que ela fosse embora. Já, tão rápido que eu não pudesse perceber. Mas ela não queria, e ficaria alí até que decidisse o contrário. Ela agora mandava em mim, e eu, fraco, não podia com ela. Era ela agora que decidia quando iria embora, se iria embora... Era dona da situação, e faria de tudo para não sair do meu lado enquanto pudesse. E eu fui me deixando dominar. E ela não tinha piedade de mim, me açoitando e dizendo que o quanto eu era pequeno e fraco, que eu não tinha forças para mandá-la embora.
E ela me maltrava, e eu não podia com ela. Não adiantava correr, ela sempre me pegava. Não adiantava me esconder, ela sempre me achava. Não adiantava fugir, ela sempre me trazia de volta. Não adiantava pedir para que fosse embora, ela não me escutava. E quando parecia que ela estava desistindo de mim, que, enfim, me deixaria livre, ela se voltava para mim e me olhava nos olhos, e dizia que não era desta vez que eu me livraria dela. Não agora. Talvez quando eu fosse mais forte, capaz de encará-la e mandá-la nunca mais aparecer. Mas ela sabia que eu não era capaz. Sabia que tremeria e recuaria. Sabia que teria medo e nunca se arriscaria a tal feito.
Tavlez ela tenha razão. Talvez eu não passe de um covarde, incapaz de fazer valer minhas vontades. Incapaz de levantar a voz com ela e mandar que saísse da minha vida. Incapaz de dizer que não gostava dela e que ela só o fazia sofrer.
Talvez ela tenha razão... Talvez...
segunda-feira, novembro 07, 2005
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